Georgia Guidestones, Pedras-Guia da Georgia

Georgia Guidestones: Um manual de pedra para o pós-apocalipse

Elberton, Georgia (EUA) //

Elberton, na Georgia, cunhou em causa própria o título de Capital Mundial do Granito, porém foi uma peculiar obra de cantaria que a pôs verdadeiramente no mapa. Fica num descampado, nos arredores da pequena cidade, à beira da estrada que segue para a pequena cidade seguinte, Hartwell.

Do chão erguem-se cinco blocos de granito com quase 5 metros de altura, postos em forma de estrela. No topo, uma laje com a inscrição, repetida em grego clássico, hieróglifos, babilónio cuneiforme e sânscrito, «Que estas pedras sejam o guia para uma Era da Razão». Estas são as Georgia Guidestones (Pedras-Guia da Georgia), também conhecidas como “Stonehenge americano”, um dos monumentos mais enigmáticos do mundo. Ainda mais enigmático se pensarmos que não foram erguidas assim há tanto tempo – a obra decorreu entre 1979 e 1980 – e praticamente nada se sabe sobre quem as criou ou qual o seu real propósito.

Cada um dos blocos verticais tem cerca de 5 metros de altura e pesa mais de 20 toneladas. [fotografia: Complicated/Flickr]
Cada um dos blocos verticais tem cerca de 5 metros de altura e pesa mais de 20 toneladas. [fotografia: Complicated/Flickr]

Mesmo a Elberton Granite Finishing Company, a empresa local que executou a empreitada, desconhece quem era o seu cliente. As interacções decorreram sob o sigilo do pseudónimo R.C. Christian, e o processo foi mediado por um bancário local que jurou segredo até ao dia da sua morte.

New age, chalupismo e bom senso

As teorias da conspiração abundam, nomeadamente entre a população local, com satanismo, maçonaria, sociedades secretas e bruxaria no caldeirão de ideias. Gravada nas pedras está apenas a inscrição «Patrocinadores: Um pequeno grupo de americanos que procuram a Era da Razão». Conspirações à parte, as Pedras-Guia da Georgia são uma memória futura para a Humanidade, uma espécie de manual para a reconstrução da civilização após o apocalipse.

Além de servirem de calendário, bússola e relógio de sol, apresentam oito «mandamentos», traduzidos em inglês, espanhol, suaíli, hindi, hebreu, árabe, chinês e russo. Uns de pendor new age, como «Preza a verdade – a beleza – o amor – em busca da harmonia com o infinito». Outros com um preocupante travo de eugenia: «Conduz a reprodução de forma sensata – melhorando a robustez física e a diversidade» ou «Mantém a humanidade abaixo dos 500 milhões, em perpétuo equilíbrio com a natureza». Mas também coisas como «Evita leis mesquinhas e governantes inúteis», que não são mais do que normas de bom senso. E o bom senso será sempre um recurso valioso num qualquer pós-apocalipse.

A laje que remata o topo da estrutura guarda a inscrição, «Que estas pedras sejam um guia para uma Era da Razão». [fotografia: KiltedEditor71-Wikimedia]
A laje que remata o topo da estrutura guarda a inscrição, «Que estas pedras sejam um guia para uma Era da Razão». [fotografia: KiltedEditor71-Wikimedia]

Artigo originalmente publicado na edição de Junho de 2015 da revista Volta ao Mundo e reeditado a 18 de Outubro de 2021
[fotografia de destaque de Dina Eric/Flickr, via Wikipedia. O Grémio Geográphico não detém quaisquer direitos sobre a imagem] Para uma leitura mais aprofundada sobre o tema, o Grémio Geográphico recomenda a leitura deste artigo da Smithsonian Magazine.


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